Caminhoneiros fazem protesto nas BR’s 381, 352 e 262 há mais de 24 hr

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O protesto dos caminhoneiros mineiros, que teve início na madrugada de domingo (22) na BR-381, em Igarapé, na região metropolitana de Belo Horizonte, parece estar em processo de expansão, já que além do surgimento de outros dois novos pontos de manifestação na mesma rodovia, na manhã desta segunda-feira (23) a categoria fechou os dois sentidos da BR-352, na entrada de Pitangui, e na BR-262, em Juatuba, ambas na região Central do Estado. Os protestos não tem previsão de fim.

De acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), na BR-381 as interdições acontecem em Igarapé, na região metropolitana de Belo Horizonte, e em Oliveira e Perdões, na região Centro-Oeste do Estado. Os manifestantes autorizam a passagem de carros de passeio e coletivo. Porém, caminhões são obrigados a parar.

A primeira interdição teve início às 5h de domingo, sendo que ao longo do dia acabou se estendendo para a altura da cidade Oliveira, uma vez que a PRF havia disponibilizado uma opção de desvio para os motoristas. Em seguida, diante de um novo desvio, os manifestantes passaram a fechar também na altura de Perdões. 

Nesta segunda-feira algumas informações davam conta de que uma nova paralisação acontecia na cidade de Santo Antônio do Amparo, também na região Centro-Oeste. Entretanto, de acordo com o posto da PRF no município, os caminhoneiros que estão parados na região não manifestam, mas apenas aguardam o fim da paralisação, uma vez que não há como seguir para Oliveira e nem Perdões. Apesar disso, segundo a Autopista Fernão Dias 1 km de lentidão é registrado nesse trecho, no sentido à BH. 

Ainda na manhã desta segunda-feira (23), a categoria fechou os dois sentidos da BR-352, na entrada da cidade de Pitangui, na região Central do Estado. De acordo com a Polícia Militar Rodoviária (PMRv), a manifestação teve início por volta das 10h em frente ao Parque de Exposições e tem as mesmas reivindicações dos demais movimentos que acontecem pelo país.

FOTO: ANA LAURA MACHADO / WEB REPÓRTER
br-352
BR-352 foi interditada com fogo, mas agora apenas veículos de carga são retidos

Os motoristas chegaram a atear fogo em pneus nos dois sentidos da rodovia, forçando inclusive motoristas de carros de passeio, ônibus e escolares a pararem. Os militares conseguiram negociar com os caminhoneiros para que o fogo fosse contido e apenas veículos de carga fossem parados. A manifestação já gerou cerca de 6 km de congestionamentos em ambos os sentidos da via. 

Já no início da tarde desta segunda-feira, os manifestantes passaram a parar os veículos também na BR-262, na altura de Juatuba, próximo ao entroncamento com a rodovia MG-050. As duas rodovias faziam parte de uma das rotas de desvio indicadas pela PRF para os motoristas que seguem da capital para São Paulo. 

De acordo com a PRF, o trânsito é complicado na região, uma vez que o trânsito só está liberado em uma faixa para automóveis e ônibus. Ainda não há informações sobre a proporção do congestionamento. 
Conforme alguns representantes do movimento dos caminhoneiros, a paralisação não foi organizada pelo sindicato. “Não queremos o sindicato, já que não nos apoiaram em momento algum. Estamos segurando todos os caminhões, mesmo que tenham carga perecível. Apenas carga viva, carros de passeio, ambulâncias e ônibus podem passar”, explica um dos líderes, Renato Martins de Almeida.

Reivindicações

A principal motivação para o ato seria a estagnação no valor dos fretes pagos pelas empresas aos caminhoneiros, que não aumenta em alguns casos há 8 anos. “Claro que também sentimos o aumento no valor do diesel, que subiu 50 centavos por litro. Os custos com combustível e manutenção estão em torno de 80% do que recebemos, quando não deveria passar 40%. Assim não fica lucrativo trabalhar”, afirmou.

Os manifestantes exigem a presença do Secretário Estadual de Transportes e afirmam que estão dispostos a continuar na via por no mínimo 72h. “Mas podemos ficar até uma semana. Temos o apoio da grande maioria dos caminhoneiros autônomos”, disse Almeida.

O presidente do Sindicato Interestadual dos Caminhoneiros, José Natan, contou à reportagem de O TEMPO que a manifestação não foi organizada pelo sindicato. “Estamos dando cobertura sobre as paralisações em todo o país. Em cada estrada é um caso, sendo que em Minas aconteceu, entre outros motivos, por conta do minério”, contou.

Ainda segundo ele, outro problema que vem atingindo a categoria é o valor dos pedágios, que acabam ficando muito caros para  veículos com muitos eixos.

A PRF pede que caminhoneiros evitem as regiões dos protestos.

17 km de congestionamento

Nesse domingo (22), o ato causou transtornos para quem passou pela rodovia, sendo que o congestionamento chegou a 9 km na altura de Igarapé. Já nesta segunda-feira o trânsito ficou ainda pior no sentido Belo Horizonte/São Paulo, chegando a 17 km desde Betim, de acordo com a Autopista Fernão Dias, que administra a via.

No sentido BH o congestionamento é menor, atingindo aproximadamente 8 km de extensão. Em Oliveira, ainda segundo a concessionária, a fila de veículos chega a 5 km no sentido à Belo Horizonte e apenas 1 km no sentido contrário. O mesmo acontece em Perdões, onde a fila no sentido à capital mineira é de 4 km e em direção à São Paulo é de 2 km.

Como desvio, para que está em Igarapé no sentido São Paulo, a PRF sugere que pegue a BR-262 até a Juatuba, entre na MG-050 e a MG-431. De lá, eles terão acesso à BR-381 já na altura de Itatiaiuçu, no Sul do Estado.

“Estamos reféns de outros caminhoneiros e a polícia não faz nada”

Apesar dos representantes do movimento afirmarem que a maioria dos motoristas os apoia, a reportagem de O TEMPO percebeu que muitos só pararam por medo de terem seus veículos danificados e até por suas vidas, já que muitos manifestantes estão exaltados.

O caminhoneiro Fernando da Silva Portela está parado em Igarapé desde às 5h desta segunda. O motorista saiu de São Paulo com uma carga para ser entregue na cidade de Recife, em Pernambuco. “Estamos reféns dos outros caminhoneiros e a polícia não faz nada. Estão ameaçando quebrar os caminhões. Eu preciso trabalhar e não consigo chegar ao meu destino”, desabafou Portela.

Outros caminhoneiros acreditam que antes de parar, os demais deveriam ter sido avisados para, ao invés de pararem nas rodovias, nem saírem dos pátios das empresas. “É muito penoso ficar no meio da estrada. Estou com uma carga de mamão que já está perdendo toda”, lamentou o autônomo Helenaldo de Jesus.

Já o caminhoneiro Gredionaldo Santana acredita seria necessário o movimento se organizar melhor, para reunir as requisições e entregar aos responsáveis. “Esse movimento não está organizado, estão parando os carros dos outros sem nem saber de quem devem cobrar. Parei por que senti receio de passar pelo piquete e sofrer represálias”, defendeu.

Nem mesmo uma tragédia na família de um dos motoristas foi suficiente para que alguns mais exaltados deixassem Vivaldo da Silva Nunes passar pelos manifestantes. “Minha mãe faleceu ontem (domingo) e não me deixam passar. Todo mundo está com medo de ter vidros quebrados, entrar em conflito com os organizadores. Achamos errado o que estão fazendo, mas temos receio de não parar”, contou.

No entanto, a assessoria de imprensa informou à reportagem que três viaturas acompanham o protesto na área de Igarapé. Ainda segundo a corporação, motoristas que forem ameaçados devem ligar no 191. 

Confira as opções de desvio em Igarapé:

 

FOTO: POLÍCIA RODOVIÁRIA FEDERAL / DIVULGAÇÃO
protesto
Opção de desvio divulgado pela PRF

Clique aqui e confira a situação do trânsito.

Atualizada às 15h27

Fonte:www.otempo.com.br