A falta de mercadorias faz os preços dispararem no Ceasa.

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Enquanto as rodovias federais do Estado eram liberadas por liminares da Justiça Federal de Minas Gerais nesta quarta-feira (25) de manhã, os preços na CeasaMinas disparavam por falta de mercadoria. A caixa do repolho chegou a variar cerca de 300%, segundo compradores que tentavam abastecer os sacolões da cidade. “A caixa de repolho que estava R$ 15 chegou a ser vendida por R$ 50”, afirmou o proprietário do sacolão Irmãos Silva, Rogério Diniz.

Entre os produtos que faltavam no Ceasa nesta manhã e estavam mais caros, estão tomate, batata, repolho, pimentão, banana, cenoura e brócolis, segundo dois compradores que negociavam no atacadista.

No fim da manhã, entretanto, os caminhoneiros começaram a chegar quando os compradores já estavam indo embora. “Estive aqui mais cedo e não comprei quase nada. Quarta-feira a gente abastece as 10 lojas da rede mas hoje só enviamos produto para duas unidades porque não tinha mercadoria mais cedo. Agora não tem mais como eu comprar, devo voltar amanhã”, explica o comprador do supermercado Salles, Flávio Ademir Paulino.

Com isso, os produtores reclamavam da dificuldade de vender a mercadoria que chegava, tanto pela ausência de comprador como pela qualidade dos produtos, que estavam muito maduros. “A manifestação atrapalhou muito. Tenho três caminhões de cenoura e beterraba que chegaram agora (final da manhã) e ninguém para comprar”, lamenta o produtor de Carandaí, região de Campos das Vertentes, Samuel Costa.

Sérgio Damasceno chegou ao Ceasa também no fim de manhã com duas toneladas de morango. Ele vinha de Ressaquinha, na região de Campos das Vertentes, e ficou preso mais de 24 horas na paralisação. “A carga não aguentaria ficar na estrada até meio-dia de hoje. Se não tivessem liberado, poderia jogar tudo fora”, afirma.

Para diminuir o prejuízo, Damasceno vendia as caixas de morango mais maduros com 37,5% de desconto. “O preço do diesel está muito alto mesmo, concordo. Mas o movimento foi mal organizado e acho que não vai dar em nada”, opina o motorista autônomo Heli Tavares da Costa. Ele vinha de Carandaí com cerca de 10 toneladas de legumes, e demorou mais de 24 horas para fazer uma viagem que demoraria três horas e meia.

O produtor que trazia de Barbacena, em caminhão próprio, uma carga com caqui, tomate, repolho e jiló, José Olívio Vicentino, estava preocupado se conseguiria vender os produtos amanhã. “Está tudo muito maduro, o cliente pode não querer”, diz. Vicentino, porém, apoiou o movimento. “Temos que parar sim, temos que ter o direito de reivindicar nossos direitos”, opina.

Fonte:www.otempo.com.br